Gosto de guardar datas, muito
embora, tenha perdido algumas importantes. No dia 3 de março de 2013 você se mexeu
na barriga da mamãe pela primeira vez. Em 15 de novembro de 2013 nos reencontramos
com um abraço apertado depois de longos meses de distância. Jamais me
esquecerei da emoção daquele dia. No dia 17 de outubro de 2014 você ensaiou
seus primeiros passos, mas foi no dia 19 de novembro que andou sozinho. No dia
27 de maio de 2015 pulou do berço sozinho. Na primeira quinzena de março de
2015 começou a falar papai, porque até então, me chamava de mamãe. 12 de abril
deste mesmo ano entramos em campo pela primeira num jogo do campeonato matogrossense. Aquele dia segurei
as lágrimas. Você estava com a roupinha do Luverdense e, agarrado comigo,
realizei um sonho de criança. Nesta última semana, dia 14 de junho, você
começou a fazer xixi no pinico sozinho.
Seu vocabulário está aumentando.
Você está chamando maça de “acã” e aprendeu as palavras, lavar, água, meu, teu,
mubir (subir), dédi, (descer). O vrum vrum agora é carro. Tratoi, minhão e
vião. A chuva continua sendo “bua”, as estrelas são “boba boba”, acabou “bô” e
a Pepa Pig é o desenho mais legal.
Você adora a corrida maluca. Eu
sempre conto até três, mas quem diz “já” é você. Você gosta muito de colocar
nossos “ainélos” (chinelos) e caminhar pela casa. Quando falamos “amém” você
diz “atchim”. Isso é muito engraçado. Corremos em volta do berço e ultimamente
você vive como um índio. O calor do Matogrosso é demais. Sua brincadeira predileta
é pular na bola que compramos para fazer Pilates. No fundo eu sabia que não
iriamos fazer exercícios nela, mas ela acabou servindo como um ótimo brinquedo
radical e uma perfeita cadeira de balanço para seu soninho da tarde.
Seu dialeto é diferente. Um idioma
está se formando. Seus sorrisos e seus choros por nós já estão sendo
diagnosticados. Eu e sua mãe ficamos extremamente irritados quando você resolve acordar 6:00 horas da manhã, mas logo passa. O que vejo ao longo deste breve relacionamento é o milagre da
construção de uma história de amor. De um lado, se nossas mãos estão abertas
para dar o melhor, sua mente e seu coração estão escancarados para absorver o
que podemos oferecer.
No entanto, não ache meu querido
filho, que tenho apenas memorizado os dias belos. Sei também cada dia em que
falhei. Do dia em que perdi a paciência, do momento em que fui rude e ignorante.
Saiba que tenho muitos defeitos, e que não faço questão de coloca-los debaixo
do tapete. Eu os conheço e reconheço. Perdoe-me por estes que já cometi e tenha
misericórdia por todos os outros que ainda irei cometer.
Entretanto, quando você grita “papai” em
mim se desenvolvem todas as alegrias que um homem pode conhecer. Junto com esse
“papai” surge o desejo desesperado de ser alguém melhor, de ser um pai melhor,
um marido, um filho, um profissional, um cidadão. Cada “papai” soa para mim
como um chamado a perfeição, um grito divino me levando para a reflexão
interior.
Nós brincamos na cama, pulamos na
bola, corremos na rua, fazemos “dol” (gol), contruimos prédios, brincamos em
cima da mesa e tomamos tererê, mas em breve você irá crescer. (tenho medo deste
verbo) Saiba, no entanto, que em mim, tudo está sendo guardado na memória e
eternizado no coração.
Desde o dia 24 de julho de 2013
cada dia ganhou um significado diferente. Gostaria de escrever muitas outras
coisas, mas não há tempo para perder com letras de um teclado quando se está
diante da maior e mais profunda história de amor para se viver.
Com amor, papai
Carlos Augusto Bertoldi, 16/06/2015Lucas do Rio Verde, MT
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