terça-feira, 16 de junho de 2015

Datas marcadas


Gosto de guardar datas, muito embora, tenha perdido algumas importantes. No dia 3 de março de 2013 você se mexeu na barriga da mamãe pela primeira vez. Em 15 de novembro de 2013 nos reencontramos com um abraço apertado depois de longos meses de distância. Jamais me esquecerei da emoção daquele dia. No dia 17 de outubro de 2014 você ensaiou seus primeiros passos, mas foi no dia 19 de novembro que andou sozinho. No dia 27 de maio de 2015 pulou do berço sozinho. Na primeira quinzena de março de 2015 começou a falar papai, porque até então, me chamava de mamãe. 12 de abril deste mesmo ano entramos em campo pela primeira num jogo do campeonato matogrossense. Aquele dia segurei as lágrimas. Você estava com a roupinha do Luverdense e, agarrado comigo, realizei um sonho de criança. Nesta última semana, dia 14 de junho, você começou a fazer xixi no pinico sozinho.
Seu vocabulário está aumentando. Você está chamando maça de “acã” e aprendeu as palavras, lavar, água, meu, teu, mubir (subir), dédi, (descer). O vrum vrum agora é carro. Tratoi, minhão e vião. A chuva continua sendo “bua”, as estrelas são “boba boba”, acabou “bô” e a Pepa Pig é o desenho mais legal.

Você adora a corrida maluca. Eu sempre conto até três, mas quem diz “já” é você. Você gosta muito de colocar nossos “ainélos” (chinelos) e caminhar pela casa. Quando falamos “amém” você diz “atchim”. Isso é muito engraçado. Corremos em volta do berço e ultimamente você vive como um índio. O calor do Matogrosso é demais. Sua brincadeira predileta é pular na bola que compramos para fazer Pilates. No fundo eu sabia que não iriamos fazer exercícios nela, mas ela acabou servindo como um ótimo brinquedo radical e uma perfeita cadeira de balanço para seu soninho da tarde.
Seu dialeto é diferente. Um idioma está se formando. Seus sorrisos e seus choros por nós já estão sendo diagnosticados. Eu e sua mãe ficamos extremamente irritados quando você resolve acordar 6:00 horas da manhã, mas logo passa. O que vejo ao longo deste breve relacionamento é o milagre da construção de uma história de amor. De um lado, se nossas mãos estão abertas para dar o melhor, sua mente e seu coração estão escancarados para absorver o que podemos oferecer.

No entanto, não ache meu querido filho, que tenho apenas memorizado os dias belos. Sei também cada dia em que falhei. Do dia em que perdi a paciência, do momento em que fui rude e ignorante. Saiba que tenho muitos defeitos, e que não faço questão de coloca-los debaixo do tapete. Eu os conheço e reconheço. Perdoe-me por estes que já cometi e tenha misericórdia por todos os outros que ainda irei cometer.  
Entretanto, quando você grita “papai” em mim se desenvolvem todas as alegrias que um homem pode conhecer. Junto com esse “papai” surge o desejo desesperado de ser alguém melhor, de ser um pai melhor, um marido, um filho, um profissional, um cidadão. Cada “papai” soa para mim como um chamado a perfeição, um grito divino me levando para a reflexão interior.

Nós brincamos na cama, pulamos na bola, corremos na rua, fazemos “dol” (gol), contruimos prédios, brincamos em cima da mesa e tomamos tererê, mas em breve você irá crescer. (tenho medo deste verbo) Saiba, no entanto, que em mim, tudo está sendo guardado na memória e eternizado no coração.
Desde o dia 24 de julho de 2013 cada dia ganhou um significado diferente. Gostaria de escrever muitas outras coisas, mas não há tempo para perder com letras de um teclado quando se está diante da maior e mais profunda história de amor para se viver.

Com amor, papai
Carlos Augusto Bertoldi, 16/06/2015
Lucas do Rio Verde, MT